sábado, 22 de outubro de 2022

a escola precisa ser incluída nas transformações sociais

 defender o caráter público da educação não passa apenas pelas políticas em ambito macro, mas pelas micropolíticas, no cotidiano. 

com a provocação de miguel arroyo, pensamos que muitas vezes a educação escolar se resume a "cercadinhos" particulares que não se conversam, só pensam em seu próprio "umbigo", e todos os problemas que surgem advém da estrutura familiar, cognitiva, do aluno. Nunca o problema pode ser uma questão de ordem metodológica, pedagógica. 

esses cercadinhos privados na educação pública são uma prática que precisa ser abolida da escola, que, em pleno século xxi pós-pandêmico, parece não ter sofrido nenhum abalo em seu núcleo duro de práticas massificantes, que esperam a homogeneização, que praticam uma educação bancária. elas continuam a projetar os problemas para fora do processo pedagógico. a educação escolar precisa deitar no divã, analisar-se, fazer a auto-crítica. auto-crítica essa que não serve para enfraquecer a categoria docente, pelo contrário, é um movimento necessário para o seu fortalecimento e apropriação de seu lugar. 

a escola precisa ser incluída nos processos de transformação social. não é a escola que tem que incluir os estudantes "especiais", mas sim, é preciso um giro ontológico. 

sábado, 8 de outubro de 2022

inclusão: subtextos e notas de rodapé numa terra de ninguém

O território da educação é de todos porém o da educação especial não o é. Existe uma especificidade, uma epistemologia. Uma não, mais correto seria dizer várias, em jogo. Concorrem nesse campo epistemes oriundas da medicina, psicologia, pedagogia. 
Sendo o poder médico muito influente na sociedade em geral, ao passo que o discurso psicológico não raro se situa como um apêndice da medicina quando reforça processos de medicalização, a pedagogia encontra-se como discurso "sem dono", sem força. 
A inclusão, como se configura em boa parte, é um subtexto da educação, é um puxadinho, um cosmético, algo que está a mais, que poderia não existir, que só deixa os alunos incluídos mais acomodados, que perturba a ordem estabelecida e como as coisas sempre foram (e sempre serão). É uma nota de rodapé no fluxo normal das coisas, é algo que não dá lucro, é o lugar de onde não saem os alunos que ganham prêmios, olimpíadas, medalhas. 
Notas de rodapé são passadas por cima, incomodam por terem pequenas letras, por estarem fora do texto principal, por estarem deslocadas do restante mais destacado. O leitor precisa procurar a nota de rodapé, qual seu número correspondente. Porém, é ali que se encontram algumas informações que especificam o texto geral, coisas que passariam batido mas que por vezes mudam todo sentido, acrescentam algo a mais. Nem todos lêem as notas de rodapé. Quem tem pressa não lê. Quem lê por obrigação não lê. Ou supõe que já sabe o que vai estar escrito.
Numa prática educativa dominada pela lógica neoliberal, não há espaço para educação especial inclusiva, não há espaço para o discurso pedagógico. Só há educação bancária, há exclusão daquilo que foge à norma, há a afirmação do mesmo. 

a escola precisa ser incluída nas transformações sociais

 defender o caráter público da educação não passa apenas pelas políticas em ambito macro, mas pelas micropolíticas, no cotidiano.  com a pro...