sábado, 30 de julho de 2022

O neuroliberalismo e a ética do mais forte

 "Neuroliberalismo" é o neologismo criado por Hugo Biagini e Diego Fernández Peycheaux para dar conta de moldurar a tendência à produção de uma mentalidade enferma que tenta mesclar a crença num egoísmo saudável como passaporte ao bem-estar comum. 

É interessante notar como o neologismo contém o significante "neuro", o que ligamos com a moda "neuro-tudo" para explicação de diversas áreas do comportamento humano. Seja para mulheres gestantes, bebês, adolescentes, velhos, crianças, hoje em dia tudo se explica por um viés dito científico das "neuro"+ alguma especialidade. Sem querer criticar algo que nem ao menos conheço a fundo (que são as áreas ligadas à neurologia), mas existe aqui um grande cuidado a ser tomado. Essa cautela diz respeito a ideologia de considerar tudo tendo a sua fonte de explicação na ordem biológica (neurológica, mais especificamente). 

O neoliberalismo, que os autores propõem chamar de neuroliberalismo, utiliza como principal arma ideológica o campo da linguagem, produzindo a alienação dos indivíduos perante questões que vão para além do que diz respeito ao particular, o que fica evidente no sucesso das abordagens de auto-ajuda por um lado, e de outro, indicadores sociais alarmantes de crise econômica. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

a escola precisa ser incluída nas transformações sociais

 defender o caráter público da educação não passa apenas pelas políticas em ambito macro, mas pelas micropolíticas, no cotidiano.  com a pro...