Por trás de muitas falas e práticas escolares, existe uma régua que mede o aluno Normal. Porém, ninguém sabe dizer onde está essa régua, onde está essa lista com os tópicos que apontam o que é um aluno normal.
A invisibilidade dessa régua é que a torna tão presente. É porque ela não é explicita, mas opera a partir de dobras e margens, a partir de discursos sutis que apontam nada menos para a sua métrica, que ela é muito presente como pano de fundo da forma escolar serial, fabril.
A forma escolar mais praticada é uma condensação de valores. Forma é conteúdo. Ela atua como uma máquina, e quem adentra nela, passa a operar de acordo com seus ditames invisíveis. Invisíveis pois os discursos não condizem com as práticas. E aqui talvez seja um dos pontos que causa tantas patologias sociais e psíquicas no ambiente escolar. Quem adentra na escola geralmente chega ali por motivos considerados nobres e altruístas, de transformação social, de transmissão de valores e cultura considerados bons. Porém, não raro, deparam-se, no ambiente escolar, com um engessamento e pouco espaço para abordagens diferentes daquelas estabelecidas pela própria engrenagem do sistema.
Referências:
CANGUILHEM, G. O normal e o patológico.
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